isave estuda quantidade sal

Fruto da colaboração institucional mantida com o Município de Esposende, o ISAVE – Instituto Superior de Saúde apresentou no dia 15 de outubro de 2019, no Centro de Educação Ambiental de Esposende (Marinhas), o estudo de avaliação da quantidade de sal nas sopas escolares servidas naquele município, integrado na apresentação do Plano de Sustentabilidade Alimentar – Geração S promovido pela referida autarquia.

 

No estudo realizado e apresentado pelo João Neves Silva, docente do ISAVE, foram avaliadas as 25 cantinas escolares do Município de Esposende responsáveis pelo fornecimento de refeições escolares aos estudantes do ensino pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico, com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos. Para tal, foram realizadas 3 (três) medições das sopas escolares por local de amostragem, em dias diferentes, de modo aleatório e sem conhecimento prévio por parte das cantinas escolares.

O estudo revelou que as cantinas cumprem as normas de quantidade de sal na sopa recomendadas pela Direção Geral de Educação (DGE) de um valor de sal inferior a 200 mg de sal, apresentando um valor médio de 126 mg de sal nas 25 cantinas escolares analisadas.

Não obstante este facto, foram identificadas variações entre cantinas escolares, tornando-se evidente a distinção entre cantinas escolares com gestão indireta de empresas privadas e cantinas escolares com gestão direta das escolas, sendo que as primeiras apresentam quantidades de sal na sopa inferiores às segundas. Foi especulado que tal se deveria ao modelo de gestão dos dois tipos de cantinas, onde as cozinheiras afetas às cantinas escolares instintivamente colocariam maior quantidade de sal na sopa para realçar o seu sabor, por oposição às empresas privadas onde há um maior controlo na quantidade de sal incorporada, até pela questão económica envolvida (preço da matéria-prima).

É ainda de realçar que, ao longo das 3 medições efetuadas para cada cantina escolar, e particularmente nas cantinas escolares com gestão direta das escolas, se verificou uma diminuição estatisticamente significativa na quantidade de sal usada nas sopas, o que mostra o efeito pedagógico que esta iniciativa teve nas cozinheiras envolvidas.

Rui Lima, nutricionista da DGE e autor do guia “Orientações sobre Ementas e Refeitórios Escolares”, destacou a importância de estudos como os realizados pela parceria ISAVE/Município de Esposende na avaliação da qualidade das ementas servidas em cantinas escolares do país, uma vez que poderão detetar possíveis incumprimentos das cantinas escolares e promover uma alimentação saudável entre a população estudantil. Rita Pinheiro, docente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) e diretora da licenciatura em Engenharia Alimentar da mesma instituição sublinhou que o Município de Esposende tem apostado na promoção de uma alimentação saudável nas escolas e defendeu que é importante reeducar, tanto dentro como fora da escola.

Além do referido estudo, foi também apresentado neste evento o Plano de Sustentabilidade Alimentar do Município de Esposende – Geração S, o qual procura levar às ementas das cantinas escolares produtos locais, nomeadamente hortícolas e pescado, e tenta implementar escolhas alimentares saudáveis e ambientalmente conscientes, com redução do desperdício alimentar.

Rui Lima (DGE) considerou que projetos como o ‘Plano de Sustentabilidade Alimentar do Município de Esposende – Geração S’ permitem avaliar os impactos na saúde e no ambiente das dietas alimentares escolares, já que as mesmas podem ser decididas com recurso a produções locais.

O reaproveitamento de pescado excedente na lota de Esposende em ementas escolares através de um processo industrial de filetagem e métodos saudáveis e inovadores de conservação é um projeto diferenciador do Plano de Sustentabilidade Alimentar de Esposende.  Com o envolvimento da Docapesca, Associação de Pescadores de Esposende, Instituto Politécnico de Viana do Castelo e do chefe de cozinha Mário Rodrigues, pretende-se contrariar as reticências da população escolar infantil às ementas à base de peixe nas cantinas.

A vereadora Alexandra Roeger, entende que o constrangimento pode ser ultrapassado com a filetagem do pescado, retirando-lhes as espinhas e confecionando-o de formas mais atrativas. A Conferência Sustentabilidade Alimentar contou ainda com a participação de vários parceiros associados ao projeto e de diversos agentes com responsabilidades nesta matéria, entre eles o ISAVE que esteve representado pela sua presidente, Prof. Dra. Mafalda Duarte, e pelo presidente do Conselho de Direção do ISAVE, Dr. João Luís Nogueira.

O projeto tem quatro linhas orientadoras: Cantinas Escolares Sustentáveis, que fomentem hábitos alimentares saudáveis; ECOalimenta, tendo em vista o combate ao desperdício alimentar, a redução, reutilização, recuperação e reciclagem na área alimentar; AgroKids, que se traduz no desenvolvimento de hortas escolares para cultivo e consumo de produtos locais; e ReEduca, que se traduz em atividades pedagógicas que assegurem a consciencialização para a educação para a sustentabilidade alimentar.

A sessão iniciou-se com a exibição de um filme explicativo do Plano de Sustentabilidade Alimentar – Geração S, onde são realçados os benefícios e mais-valias deste projeto.

No Laboratório de Ideias, sob a moderação da Vice-presidente da Câmara Municipal, Alexandra Roeger, participaram Fernando Ferreira, Diretor ACES Cávado III – Barcelos/Esposende, Rita Pinheiro, do Politécnico de Viana de Castelo, Mafalda Duarte, do ISAVE – Instituto Superior de Saúde, Chefe Mário Rodrigues, Hugo Silva, da Movelife, José Ruivo, da Noocity, Hernani Zão, Andreia Domingues, da SONAE MC, e Helena Cardoso, da DOCAPESCA.

Todos felicitaram o Município pela “ousadia” e pela aposta na sustentabilidade alimentar das escolas, considerando que os ganhos são abrangentes e transversais à sociedade.

Os trabalhos foram encerrados pelo Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal do Cávado, Luís Macedo, que saudou o Município de Esposende por dar o exemplo ao nível da promoção da economia, ao envolver os produtores locais neste projeto, dinamizando a agricultura e a pesca.

 

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