debate bem estar trabalho

O ISAVE realizou, hoje dia 15 de janeiro, o Seminário de Psicologia “Bem-Estar no Trabalho”, para os alunos de Enfermagem, ex-alunos, docentes e colaboradores do Grupo Amar Terra Verde.

A presidente, Mafalda Duarte, acolheu a audiência e apresentou o orador Reinaldo Sousa Santos, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, que explicou o “Efeito positivo da proximidade e relacionamento na felicidade no trabalho”.​

A felicidade não é um tema novo, é algo que já ultrapassa muitas civilizações e culturas, inclusive

existem várias nações, como EUA e China, que incitavam à busca da felicidade. Mas ao contrário das ciências exatas, nas ciências sociais e humanas é necessário algum cuidado na abordagem destes temas – introduziu Reinaldo Santos.​

 

«Só faz sentido falar de felicidade hoje», uma vez que ao longo do tempo houveram vários fatores de mudança, mesmo em questões demográficas – entre 1900 e 2000 as pessoas deixaram de viver até aos 36 para viver até aos 71 anos de idade.​

Assertivo, o orador explicou que «quando dizem “A felicidade está nas nossas mãos” isso não é totalmente verdade. A felicidade é maioritariamente uma questão genética: 50% da felicidade está nos nossos genes (é um padrão genético, há pessoas com mais e outras com menos); 10% está nas circunstâncias da vida, que não são controladas por nós; e 40% está efetivamente nas nossas mãos».​

Felicidade não é estar contente e a rir, a felicidade está associada ao prazer e às coisas boas da vida, coisas que até nos podem trazer algum transtorno, mas no final o sentimento de realização é prazeroso, nesse sentido, existem estudos que afirmam que ter filhos não traz felicidade, da mesma forma, há quem defenda que para um casamento resultar basta que um dos dois seja feliz… tem é de ser a mulher! – engraçou Reinaldo.​

«Disseram “Não há trabalho, não há amor!” é treta» – vincou o convidado. A priorização de determinados fatores no trabalho difere entre a chefia e os colaboradores, dessa forma, o Bem-Estar no trabalho, resumido à palavra “Consistência”, pauta-se por um triângulo entre o bem-estar psicológico, o bem-estar social e a experiência de trabalho.​

A chefia considera como mais valioso «o bom salário, a segurança no emprego, a promoção vertical e as condições de trabalho», enquanto os trabalhadores valorizam mais «um trabalho interessante, o reconhecimento profissional, o domínio dos assuntos e a segurança», e só em quinto lugar o bom salário.​

Neste capítulo pede-se à chefia que disponibilize tempo, acompanhe o desempenho, resolva problemas, assuma responsabilidades, acolha contributos e comunique bem. Como recompensa, o trabalhador requer estabilidade, retribuição, um local agradável, desenvolvimento e formação, apoio à família e inserção na comunidade, num universo de relacionamentos através de reuniões, convívios, pausas e comunicação interna que faça o trabalhador sentir «eu faço parte».​

Quanto ao bem-estar social, é necessário um ambiente agradável, com empatia e apoio mútuo, uma relação social com a chefia e amizade ou empatia, para compreender ou entender o outro, até porque «se pensam que as energias boas são contagiosas, as más são muito mais». Quanto à experiência laboral, os trabalhadores preferem e valorizam o respeito, a confiança, a equidade, a ajuda e gratidão e uma liderança responsável.​

Uma vez que as necessidades das pessoas estão em permanente ajustamento, Reinaldo Santos finaliza referindo que «a felicidade não é um destino, a felicidade é o caminho» e, «em duas palavras, Felicidade é “outras pessoas”, porque a felicidade é um exercício de partilha».